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O BRASIL PERDEU MUITO MAIS DO QUE UMA PARTIDA. PERDEU SUA IDENTIDADE

A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 escancarou um problema que vem sendo ignorado há anos. O Brasil não perdeu apenas uma vaga. Perdeu sua identidade, sua essência e aquilo que sempre fez do futebol brasileiro um espetáculo admirado pelo mundo.

Ao longo da competição, ficou evidente uma equipe sem entrosamento, consequência de um calendário que praticamente impede períodos adequados de treinamento. A Seleção se reúne poucas vezes durante o ano, e isso se reflete em um futebol burocrático, previsível e distante da criatividade que marcou gerações.

Mas a questão vai além da falta de tempo para treinar.

O lance que simbolizou essa eliminação foi o pênalti. Em um dos momentos de maior pressão da Copa, Vinícius Júnior optou por não assumir a responsabilidade da cobrança. Em uma seleção que sempre teve jogadores dispostos a carregar o peso da camisa amarela, essa decisão inevitavelmente gerou críticas. Em grandes competições, a personalidade também decide campeonatos. A discussão não é sobre errar um pênalti, mas sobre assumir a responsabilidade de cobrá-lo.

Outro episódio marcante foi o gol desperdiçado por Endrick. Durante anos, criou-se uma narrativa de que o atacante permanecia treinando finalizações mesmo após os treinamentos oficiais, como demonstração de dedicação extrema. Entretanto, futebol de alto nível é decidido dentro de campo. Diante do gol, cara a cara, a oportunidade foi desperdiçada, mostrando que preparação e discurso precisam ser confirmados nos momentos decisivos.

A impressão deixada durante toda a Copa foi a de uma equipe que atuava sem a intensidade e a raça que sempre caracterizaram o futebol brasileiro. Faltou agressividade esportiva, faltou imposição e, principalmente, faltou aquela sensação de que cada jogador estava disposto a deixar tudo em campo pela camisa da Seleção.

O Brasil, que durante décadas encantou o mundo com dribles, improviso, ousadia e talento ofensivo, parece ter abandonado sua própria essência. Hoje, em muitos momentos, apresenta um futebol excessivamente cauteloso, de características muito mais próximas de seleções europeias, apostando quase exclusivamente em jogadas individuais de um único atleta para resolver partidas.

Também considero injusta a tentativa de transformar Neymar no principal culpado pelo fracasso. Pelo contrário. Nos minutos em que esteve em campo, demonstrou disposição, buscou o jogo, pediu a bola e tentou participar das ações ofensivas. As críticas direcionadas exclusivamente a ele ignoram problemas estruturais que vêm se acumulando há anos. Transferir toda a responsabilidade para um único jogador é uma forma simplista de explicar uma crise muito mais profunda.

O maior problema da Seleção Brasileira não é um atleta específico, nem a entrada ou saída de um jogador. O verdadeiro problema é a perda da identidade. É a sensação de que a camisa amarela já não exerce o mesmo peso sobre quem a veste. Em outras épocas, uma derrota na Copa do Mundo representava uma dor nacional que também era percebida dentro do elenco. Hoje, a impressão que fica para muitos torcedores é de que a repercussão fora de campo, contratos publicitários e presença nas redes sociais ocupam um espaço que jamais deveria ser maior do que a responsabilidade de representar mais de 200 milhões de brasileiros.

A reconstrução da Seleção passa muito menos por trocar nomes e muito mais por resgatar valores. O Brasil precisa voltar a formar jogadores que entendam o significado da camisa que vestem, que joguem com personalidade, coragem e compromisso. Porque títulos são consequência. A identidade, essa sim, nunca poderia ter sido perdida.

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