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MINAS DEFINE SUA BANCADA EM BRASÍLIA: PL DOMINA A CÂMARA E DISPUTA PELO SENADO EXPÕE DIVISÃO À DIREITA

Minas Gerais definiu neste domingo, 4 de outubro, os 53 deputados federais e os dois senadores que representarão o estado em Brasília a partir de 2027. Com 100% da apuração, o resultado mostrou uma bancada federal fortemente concentrada no PL e uma disputa muito mais equilibrada para o Senado.

Na Câmara dos Deputados, o grande destaque foi Nikolas Ferreira. O parlamentar do PL recebeu 3.119.318 votos, votação muito superior à dos demais candidatos mineiros. O PL conquistou 21 das 53 cadeiras destinadas a Minas. O PT ficou com 12 deputados.

A eleição para o Senado, entretanto, produziu um cenário diferente. Como havia duas vagas, cada eleitor podia votar em dois candidatos. Domingos Sávio, do PL, terminou em primeiro com 4.968.829 votos (24,21%). A segunda vaga ficou com Marília Campos, do PT, com 3.990.864 votos (19,44%).

A DIVISÃO ENTRE CARLOS VIANA E SUPERMAN

Um dos pontos politicamente mais interessantes do resultado está na votação de Carlos Viana (PSD) e Marco Antônio Superman (Novo).

Viana terminou em terceiro lugar, com 3.583.487 votos (17,46%), ficando 407.377 votos atrás de Marília Campos. Superman recebeu 1.895.603 votos (9,24%). Somados, Viana e Superman alcançaram 5.479.090 votos.

A divisão não surgiu apenas depois da abertura das urnas. Durante a campanha, movimentos identificados com a direita mineira já divergiam sobre o segundo voto: Domingos Sávio aparecia como escolha consensual entre esses grupos, enquanto uma ala defendia Carlos Viana como “voto útil” e outra, ligada a apoiadores de Nikolas Ferreira, preferia Superman. A Itatiaia documentou essa disputa ainda em setembro.

É tentador olhar para os números e concluir que a divisão causou a eleição de Marília Campos. Matematicamente, porém, essa afirmação precisa de uma ressalva importante: como o eleitor mineiro tinha direito a dois votos para senador, não podemos simplesmente transferir os 1,89 milhão de votos de Superman para Viana. Um eleitor poderia ter votado em Domingos Sávio e Superman, Viana e Superman, apenas em um candidato ou até anulado uma das escolhas. Sem os dados de combinação individual dos votos, não é possível afirmar quantos votos Superman efetivamente “tirou” de Viana.

O que os números permitem afirmar é que houve fragmentação eleitoral entre candidaturas associadas à direita, e que Viana perdeu a segunda vaga por uma diferença relativamente pequena diante do tamanho do eleitorado mineiro. A estratégia de lançar e sustentar diferentes nomes para duas vagas produziu uma dispersão que merece ser analisada politicamente. Marília, por sua vez, chegou à eleição competitiva — pesquisas anteriores já a colocavam entre os primeiros nomes — e conquistou por mérito eleitoral quase 4 milhões de votos.

RESULTADO DO SENADO EM MINAS

Eleitos

1º Domingos Sávio (PL) — 4.968.829 votos — 24,21%

2º Marília Campos (PT) — 3.990.864 votos — 19,44%

Não eleitos

3º Carlos Viana (PSD) — 3.583.487 — 17,46%
4º Áurea Carolina (PSOL) — 2.664.763 — 12,98%
5º Marcelo Aro (PP) — 2.387.973 — 11,63%
6º Marco Antônio Superman (Novo) — 1.895.603 — 9,24%
7º Aécio Neves (PSDB) — 836.595 — 4,08%
8º Manoel Carvalho (MDB) — 43.227 — 0,21%
9º Arcanjo Pimenta (MDB) — 40.714 — 0,20%
10º Carlin Moura (Avante) — 35.892 — 0,17%
11º Ana Luiza do MLB (UP) — 27.620 — 0,13%
12º Victória Mello Vic (PSTU) — 17.444 — 0,08%
13º Juiz Ramon Moreira (DC) — 14.463 — 0,07%
14º Fidélis Alcântara (UP) — 7.546 — 0,04%
15º Jordano Metalúrgico (PSTU) — 7.282 — 0,04%
16º Tião Pessoa (PCO) — 3.184 — 0,02%.

DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS POR PARTIDO

A seguir, os 53 deputados federais eleitos por Minas, separados pelo partido de filiação e, dentro de cada legenda, colocados em ordem decrescente de votação. Os números são da totalização da Justiça Eleitoral reproduzida por veículos que acompanharam a apuração.

PL — 21 ELEITOS

  1. Nikolas Ferreira — 3.119.318 votos
  2. Zé Vitor — 145.006
  3. Emidinho Madeira — 94.812
  4. Eros Biondini — 81.650
  5. Vinicius Diniz — 80.567
  6. Igor Santos — 70.572
  7. Dr. Marcos Vinicius — 67.371
  8. Greyce Elias — 66.395
  9. Lafayette Andrada — 61.773
  10. Dr. Frederico — 60.625
  11. Caporezzo — 57.878
  12. Rosângela Reis — 57.063
  13. Marcelo Álvaro Antônio — 56.958
  14. Fabinho Ramalho — 43.908
  15. Thiago Ganem — 42.718
  16. Delegada Ione — 39.275
  17. Rodrigo Tavares — 37.534
  18. Lincoln Portela — 37.162
  19. Subtenente Gonzaga — 35.958
  20. Junio Amaral — 33.762
  21. Sargento Mello-casal — 25.090.

PT — 12 ELEITOS

  1. Ana Elisa — 524.219 votos
  2. Reginaldo Lopes — 215.192
  3. Rogério Correia — 185.912
  4. Ana Pimentel — 144.496
  5. Gleide Andrade — 130.253
  6. Paulo Guedes — 126.974
  7. Pedro Rousseff — 118.567
  8. Miguel Ângelo — 110.124
  9. Dandara — 108.193
  10. Bella Gonçalves — 98.750
  11. Padre João — 86.923
  12. Leonardo Monteiro — 78.841.

UNIÃO BRASIL — 4 ELEITOS

  1. Rodrigo de Castro — 105.371 votos
  2. Delegado Marcelo Freitas — 104.010
  3. Rafael Simões — 86.131
  4. Samuel Viana — 84.879.

REPUBLICANOS — 3 ELEITOS

  1. Gleidson Azevedo — 126.248 votos
  2. Bruno Farias — 113.379
  3. Gilberto Abramo — 96.046.

PSD — 2 ELEITOS

  1. Weliton Prado — 129.366 votos
  2. Diego Andrade — 109.445.

PP — 2 ELEITOS

  1. Pinheirinho — 151.981 votos
  2. Dimas Fabiano — 90.827.

PSOL — 1 ELEITA

  1. Duda Salabert — 229.535 votos.

PV — 1 ELEITA

  1. Lohanna — 108.182 votos.

PRD — 1 ELEITO

  1. Fred Costa — 100.082 votos.

MDB — 1 ELEITO

  1. Newton Cardoso Jr. — 93.759 votos.

AVANTE — 1 ELEITO

  1. Luis Tibé — 86.740 votos.

REDE — 1 ELEITO

  1. André Janones — 78.780 votos.

PODEMOS — 1 ELEITA

  1. Nely Aquino — 70.921 votos.

PSDB — 1 ELEITO

  1. Paulo Abi-Ackel — 68.795 votos.

PSB — 1 ELEITO

  1. Duarte Júnior — 46.479 votos.

O RECADO DAS URNAS

A fotografia política de Minas que emerge das urnas é peculiar. O PL construiu uma bancada gigantesca na Câmara, elegendo 21 dos 53 deputados federais mineiros, enquanto Nikolas Ferreira sozinho ultrapassou a marca de três milhões de votos. No Senado, porém, o partido conquistou apenas uma das duas vagas, com Domingos Sávio.

A segunda cadeira ficou com Marília Campos. Carlos Viana terminou apenas 407.377 votos atrás dela, enquanto Superman reuniu quase 1,9 milhão de votos. Esses números tornam legítima a discussão sobre os efeitos políticos da fragmentação das candidaturas de direita, mas não permitem afirmar que todos os votos de Superman migrariam automaticamente para Viana caso ele não estivesse na disputa.

Essa talvez seja a leitura mais interessante da eleição mineira para o Senado: uma eleição com duas vagas exige estratégia para dois votos. Domingos Sávio conseguiu transformar seu eleitorado em uma das cadeiras. Marília Campos fez o mesmo. Viana e Superman, embora juntos tenham recebido mais de 5,4 milhões de votos, terminaram sem mandato.

Nas eleições proporcionais, o resultado também deixa uma lição importante: quantidade de votos individuais não é suficiente para explicar quem entra na Câmara. O desempenho do partido ou da federação interfere diretamente na distribuição das cadeiras. Por isso, candidatos com votação inferior à de adversários derrotados podem ser eleitos.

A partir de fevereiro de 2027, portanto, Minas chegará a Brasília com uma bancada federal numericamente dominada pelo PL, enquanto no Senado terá Domingos Sávio, do PL, e Marília Campos, do PT, representando campos políticos distintos.

As urnas não produziram apenas vencedores e derrotados. Produziram também um dado para futuras campanhas estudarem com atenção: em uma eleição com dois votos para o Senado, coordenação eleitoral pode ser tão importante quanto popularidade individual.

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