Minas Gerais decidiu seu próximo governador já no primeiro turno. Cleitinho Azevedo, do Republicanos, venceu a eleição deste domingo, 4 de outubro, com 6.321.590 votos, correspondentes a 55,40% dos votos válidos. Patrus Ananias, do PT, terminou em segundo lugar, com 3.006.088 votos e 26,34%.
A vitória de Cleitinho confirma uma trajetória política construída em velocidade pouco comum. Depois de passar pela Câmara Municipal de Divinópolis, Assembleia Legislativa e Senado, ele agora chega ao comando do segundo maior colégio eleitoral do país.
O resultado também demonstra a força de uma forma de fazer política baseada principalmente na comunicação direta com o eleitor. Cleitinho transformou as redes sociais em sua principal ferramenta política e conseguiu construir uma imagem que dialogou principalmente com o eleitorado insatisfeito com a política tradicional.
Mas vencer uma eleição e governar Minas Gerais são desafios completamente diferentes.
A partir de 2027, os vídeos, discursos simples e críticas darão lugar à responsabilidade concreta de administrar um dos maiores estados brasileiros, enfrentar problemas fiscais, infraestrutura, saúde, segurança, educação e negociar permanentemente com uma Assembleia Legislativa fragmentada entre diferentes forças políticas.
É justamente aí que começará o verdadeiro teste de Cleitinho.
EM PATROCÍNIO, A VITÓRIA FOI AINDA MAIOR
Se no conjunto de Minas Cleitinho conquistou 55,40% dos votos válidos, em Patrocínio sua vantagem foi muito superior.
O candidato recebeu 34.144 votos no município, representando 71,47% dos votos válidos.
Patrus Ananias ficou em segundo, com 7.553 votos (15,81%), seguido por Flávio Roscoe, com 3.213 (6,73%), Mateus Simões, com 1.139 (2,38%), e Alexandre Kalil, com 744 votos (1,56%).
Ou seja: praticamente sete em cada dez votos válidos para governador em Patrocínio foram para Cleitinho.
É um resultado politicamente expressivo e que cria também uma responsabilidade futura. Uma votação desse tamanho estabelece uma relação política direta entre o novo governador e o município. A partir de agora, portanto, Patrocínio tem números suficientes para cobrar atenção, investimentos e resultados do governo que começará em 2027.
A eleição também redesenhou a Assembleia Legislativa. Minas escolheu 77 deputados estaduais e o PL saiu das urnas como a maior força partidária da Casa, elegendo 21 parlamentares.
Abaixo, os deputados estaduais eleitos, separados por partido e organizados do mais votado para o menos votado dentro de cada legenda.
PL — 21 DEPUTADOS
- Bruno Engler — 675.940 votos
- Pablo Almeida — 227.009 votos
- Eduardo Azevedo — 165.936 votos
- Antonio Carlos Arantes — 145.912 votos
- Chiara Biondini — 112.818 votos
- Sargento Rodrigues — 103.311 votos
- Vittorio Medioli — 77.931 votos
- Delegada Sheila — 70.171 votos
- Ugleno Alves — 66.001 votos
- Roberta Lopes — 63.840 votos
- Marcelo Heitor — 63.738 votos
- Alê Portela — 63.095 votos
- Gustavo Santana — 60.293 votos
- Anderson Lima — 59.870 votos
- Denerval Germano — 54.552 votos
- Marli Ribeiro — 53.729 votos
- Coronel Henrique — 52.948 votos
- Amanda Teixeira Dias — 45.156 votos
- Samuel Caires — 42.962 votos
- Marília Amaral — 42.874 votos
- Pedro Luiz — 40.876 votos
PT — 15 DEPUTADOS
- Beatriz Cerqueira — 328.402 votos
- Macaé Evaristo — 157.301 votos
- Leninha — 87.647 votos
- Adriana Souza — 85.316 votos
- Ulysses Gomes — 77.015 votos
- Ana Paula Siqueira — 76.125 votos
- Cristiano Silveira — 73.305 votos
- Ricardo Campos — 68.926 votos
- Marquinho Lemos — 62.032 votos
- Betão — 61.835 votos
- Andréia de Jesus — 61.253 votos
- Daniel Sucupira — 59.769 votos
- Leleco Pimentel — 59.497 votos
- Dr. Jean Freire — 56.442 votos
- Luizinho — 53.586 votos
PSD — 9 DEPUTADOS
- Elismar Prado — 113.243 votos
- Enes Cândido — 105.260 votos
- João Magalhães — 102.469 votos
- Duarte — 97.817 votos
- Gustavo Valadares — 93.956 votos
- Gil Pereira — 80.733 votos
- Delegado Christiano Xavier — 79.871 votos
- Raul Belém — 74.546 votos
- Tito Torres — 72.256 votos
PP — 5 DEPUTADOS
- Doorgal Andrada — 100.333 votos
- Adriano Alvarenga — 93.559 votos
- Nayara Rocha — 77.412 votos
- Zé Guilherme — 65.652 votos
- Vitório Júnior — 62.235 votos
REPUBLICANOS — 4 DEPUTADOS
- Lud Falcão — 159.944 votos
- Neilando Pimenta — 125.936 votos
- Mauro Tramonte — 78.922 votos
- Carlos Henrique — 76.133 votos
UNIÃO BRASIL — 3 DEPUTADOS
- Grego da Fundação — 96.385 votos
- Rodrigo Lopes — 82.823 votos
- Betinho Pinto Coelho — 79.539 votos
PSDB — 3 DEPUTADOS
- Maria Clara Marra — 91.436 votos
- Tony Carlos — 56.546 votos
- Heleno do Hospital — 46.224 votos
PRD — 3 DEPUTADOS
- Roberto Andrade — 59.125 votos
- Juca Bahia — 41.155 votos
- Fernando Breno — 36.648 votos
AVANTE — 2 DEPUTADOS
- Carol Caram — 75.869 votos
- João do Social — 69.329 votos
PSB — 2 DEPUTADOS
- Noraldino Júnior — 89.480 votos
- Luiz Paulo — 45.108 votos
NOVO — 2 DEPUTADOS
- Dr. Maurício — 64.692 votos
- Zé Laviola — 62.939 votos
PV — 2 DEPUTADOS
- Mário Henrique Caixa — 53.501 votos
- Fabão — 52.940 votos
PODEMOS — 2 DEPUTADOS
- Rodrigo Cadeirante — 50.949 votos
- Flávia Borja — 39.658 votos
PSOL — 1 DEPUTADA
- Iza Lourença — 104.524 votos
REDE — 1 DEPUTADO
- Lucas Lasmar — 93.290 votos
PDT — 1 DEPUTADA
- Dra. Laís Santiago — 79.016 votos
DEMOCRATA — 1 DEPUTADO
- Cabo Gregório Silva — 32.872 votos
UMA ASSEMBLEIA COM FORTE PESO DO PL
O resultado da eleição proporcional talvez seja tão politicamente relevante quanto a própria vitória de Cleitinho.
O PL conquistou sozinho 21 das 77 cadeiras da Assembleia, tornando-se a maior bancada. Já a federação formada por PT, PV e PCdoB alcançou 17 cadeiras — 15 deputados filiados ao PT e dois ao PV.
Isso significa que o novo governador encontrará uma Assembleia na qual a direita terá peso considerável, mas não governará sozinho. Cleitinho terá de construir maioria política para aprovar projetos importantes.
E existe uma curiosidade política: embora pertença ao Republicanos, partido que elegeu apenas quatro deputados estaduais, Cleitinho chega ao Palácio Tiradentes respaldado por mais de 6,3 milhões de votos.
É uma enorme força eleitoral pessoal, mas que precisará ser transformada em capacidade política e administrativa.
As urnas já responderam quem Minas queria como governador.
A pergunta a partir de 2027 será outra: Cleitinho conseguirá transformar popularidade, vídeos e milhões de votos em um governo eficiente?
Essa resposta não virá das redes sociais.
Virá dos resultados.










