Em 22 de novembro de 1963, três tiros disparados em Dallas não atingiram apenas John Fitzgerald Kennedy. Eles mudaram o rumo dos Estados Unidos e produziram um dos maiores mistérios políticos do século XX. Mais de seis décadas depois, o governo americano continua sustentando a conclusão central apresentada pela Comissão Warren: Lee Harvey Oswald teria assassinado Kennedy e agido sozinho.
Mas será que uma história dessa magnitude pode realmente ser resumida dessa maneira?
Quanto mais se estuda o assassinato, menos interessante se torna simplesmente perguntar quem apertou o gatilho. Existe uma pergunta muito mais incômoda: quem ganhou com a morte do presidente Kennedy?
Não pretendo apresentar como fato aquilo que não pode ser provado. Não existe documento conhecido demonstrando que a CIA ordenou o assassinato. Não existe prova conclusiva de que Lyndon Johnson participou de uma conspiração. Também não existe prova de que empresários da indústria bélica tenham mandado matar Kennedy. Mas jornalismo não consiste apenas em repetir aquilo que um governo concluiu sobre si próprio. Consiste também em observar interesses, dinheiro, decisões políticas, contradições e principalmente fazer perguntas.
E neste caso existem perguntas demais.
42 DIAS ANTES DE MORRER, KENNEDY APROVOU UMA RETIRADA DO VIETNÃ
Existe um documento que precisa estar no centro dessa discussão. Em 11 de outubro de 1963, Kennedy aprovou o National Security Action Memorandum 263, o NSAM 263.
Entre as medidas aprovadas estava a retirada de 1.000 militares americanos do Vietnã até o final daquele ano.
Quarenta e dois dias depois, Kennedy estava morto.
É necessário cuidado aqui. Existe até hoje uma discussão histórica sobre aquilo que Kennedy faria no Vietnã caso sobrevivesse e fosse reeleito. Não podemos afirmar que ele certamente retiraria todos os americanos da região. Mas podemos afirmar algo muito mais importante: a decisão de retirar aqueles mil militares está documentada.
Depois veio 22 de novembro.
Kennedy foi assassinado.
Lyndon B. Johnson assumiu a Presidência.
E o rumo da história mudou.
Quatro dias depois do assassinato, em 26 de novembro, Johnson aprovou o NSAM 273, estabelecendo diretrizes sobre a política americana no Vietnã. Seria igualmente incorreto afirmar que esse documento simplesmente anulou toda a política de Kennedy, pois parte de sua elaboração havia começado antes do assassinato.
O que realmente importa é observar o que aconteceu nos anos seguintes.
Em 1964 ocorreu o episódio do Golfo de Tonkin. O Congresso concedeu amplos poderes ao presidente para responder militarmente no Sudeste Asiático. Em 1965 começou a grande escalada americana. Vieram a Operação Rolling Thunder, tropas de combate e uma guerra cada vez maior.
No auge do conflito, havia mais de meio milhão de militares americanos no Vietnã.
Então existe uma pergunta legítima que não pode ser descartada como simples teoria conspiratória:
se Kennedy tivesse sobrevivido, os Estados Unidos teriam entrado no Vietnã na dimensão em que entraram sob Lyndon Johnson?
Não sabemos.
Mas sabemos quem morreu.
Sabemos quem assumiu.
E sabemos o que aconteceu depois.
GUERRA TAMBÉM SIGNIFICA BILHÕES DE DÓLARES
Quando falamos sobre guerra, normalmente pensamos em soldados, estratégia militar e geopolítica. Existe, entretanto, outro elemento inseparável de qualquer conflito dessa dimensão: dinheiro.
Muito dinheiro.
Uma guerra precisa de aviões, helicópteros, bombas, munições, veículos, sistemas eletrônicos, radares, peças, motores, combustível, manutenção e milhares de outros produtos e serviços.
Tudo isso precisa ser comprado.
E grande parte é fornecida por empresas privadas.
Dados históricos do Departamento de Defesa mostram a dimensão do crescimento das aquisições militares americanas durante o período da escalada do Vietnã. Os gastos com procurement, basicamente aquisição de equipamentos e materiais militares, ficaram em aproximadamente US$ 11,8 bilhões no ano fiscal de 1965. Em 1967 já estavam próximos de US$ 19 bilhões. Em 1968 chegaram a cerca de US$ 23,3 bilhões e, em 1969, ficaram próximos de US$ 24 bilhões.
Estamos falando de dólares daquela época.
Entre as gigantes envolvidas no mercado de defesa americano estavam nomes como General Dynamics, Lockheed, General Electric, United Aircraft, McDonnell Douglas, Boeing, North American Rockwell e outras enormes corporações.
Isso não significa que essas empresas tenham assassinado Kennedy. Também seria incorreto pegar todo o aumento das despesas militares e classificá-lo automaticamente como lucro empresarial. Contratos, faturamento, custos e lucro são coisas diferentes.
Mas existe uma realidade impossível de ignorar:
a escalada militar movimentou dezenas de bilhões de dólares.
Então faça a pergunta mais antiga das investigações:
quem se beneficiou?
E existe algo ainda mais perturbador quando lembramos de uma expressão utilizada pelo próprio Kennedy antes de chegar à Presidência.
Em janeiro de 1961, o presidente Dwight Eisenhower encerrou seu mandato alertando os americanos sobre o crescente poder do “complexo militar-industrial”.
Poucos anos depois, Kennedy estava morto e os Estados Unidos caminhavam para uma das maiores guerras de sua história.
Coincidência?
Pode ser.
Prova de conspiração?
Não.
Motivo suficiente para investigar interesses econômicos e políticos?
Sem dúvida.
ENTÃO SURGE A FAMOSA “BALA MÁGICA”
Para que a conclusão de um único atirador funcionasse, havia um problema fundamental: explicar os ferimentos de Kennedy e do governador do Texas, John Connally.
A Comissão Warren concluiu que uma única bala atingiu Kennedy pelas costas, atravessou seu corpo e posteriormente atingiu Connally.
Segundo essa reconstrução, o projétil entrou nas costas de Connally, atravessou seu tórax, lesionou uma costela, saiu, atingiu seu punho direito, fraturou um osso e posteriormente chegou à região da coxa.
Esse projétil ficou conhecido como Commission Exhibit 399, a CE 399.
Popularmente, nasceu a expressão:
“bala mágica”.
É importante dizer que existem explicações balísticas para o estado relativamente preservado do projétil. A munição era encamisada, e testes demonstraram que esse tipo de bala pode atravessar tecidos mantendo consideravelmente sua estrutura.
Mas existe uma pergunta diferente de “isso seria fisicamente possível?”.
A pergunta é:
foi realmente isso que aconteceu em Dallas?
Porque a teoria da bala única não é apenas uma curiosidade do caso Kennedy. Ela é fundamental para compatibilizar os ferimentos com a quantidade e o intervalo dos disparos atribuídos a Oswald.
Se Kennedy e Connally tiverem sido atingidos por tiros diferentes em determinados momentos da sequência, surge um problema cronológico muito maior.
E, dependendo dessa cronologia, surge a pergunta que a versão oficial tentou encerrar:
havia outro atirador?
ANOS DEPOIS, O PRÓPRIO CONGRESSO FALOU EM CONSPIRAÇÃO
Aqui encontramos uma informação que muitas vezes desaparece das versões simplificadas da história.
O próprio Congresso americano decidiu reinvestigar o assassinato.
O House Select Committee on Assassinations, o HSCA, concluiu em 1979 que Oswald disparou contra Kennedy. Entretanto, utilizando inclusive evidências acústicas, o comitê considerou que provavelmente existiu um segundo atirador e chegou a uma conclusão impressionante:
John F. Kennedy provavelmente foi assassinado como resultado de uma conspiração.
Não foi Oliver Stone quem escreveu isso.
Foi uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
Existe, porém, uma ressalva fundamental. A evidência acústica que sustentou parte importante da conclusão sobre um segundo atirador seria posteriormente contestada por especialistas da National Academy of Sciences.
Portanto, não podemos transformar a conclusão do HSCA em prova definitiva de uma conspiração.
Mas também não podemos fingir que ela nunca existiu.
Uma investigação oficial disse que Oswald agiu sozinho.
Outra investigação oficial, anos depois, considerou provável que Kennedy tivesse sido morto em decorrência de uma conspiração.
Somente isso deveria ser suficiente para demonstrar que o caso está muito longe da simplicidade normalmente apresentada.

E QUEM ERA REALMENTE LEE HARVEY OSWALD?
Aqui a história fica ainda mais estranha.
Oswald havia servido no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Possuía treinamento militar e havia trabalhado com radar. Em 1959, em plena Guerra Fria, viajou para a União Soviética e anunciou sua intenção de renunciar à cidadania americana.
Viveu durante anos dentro do principal inimigo geopolítico dos Estados Unidos.
Depois retornou aos Estados Unidos.
Mais tarde envolveu-se publicamente com atividades favoráveis a Cuba e esteve na Cidade do México, onde houve contatos envolvendo representações diplomáticas soviéticas e cubanas.
Estamos falando de um personagem que dificilmente poderia ser mais interessante para os serviços de inteligência americanos.
E eles sabiam quem Oswald era.
A CIA possuía informações sobre ele antes do assassinato. Comunicações relacionadas a Oswald passaram pelos sistemas de inteligência americanos, e sua passagem pelo México despertou atenção.
Então chegamos a uma das partes mais controversas dessa história.
A MÃE DE OSWALD ACREDITAVA QUE O FILHO TRABALHAVA PARA A INTELIGÊNCIA AMERICANA
Marguerite Oswald jamais aceitou a versão de que seu filho fosse simplesmente o assassino comunista apresentado ao mundo.
Ela sustentou publicamente que Lee Harvey Oswald trabalhava secretamente para o governo americano e relacionou sua passagem pela União Soviética a possíveis atividades de inteligência.
Marguerite não conseguiu apresentar provas documentais capazes de demonstrar isso. Portanto, não podemos escrever como fato estabelecido que Oswald era agente da CIA.
Mas também não devemos cometer o erro oposto de fingir que essa suspeita apareceu décadas depois na cabeça de conspiracionistas.
A própria mãe de Oswald levantou essa hipótese naquele período.
E a acusação chegou à Comissão Warren.
Allen Dulles, ex-diretor da CIA, estava entre os integrantes da própria comissão responsável por investigar o assassinato.
Pare e pense nessa situação.
Um ex-diretor da principal agência de inteligência americana participava da comissão que precisava analisar, entre incontáveis outras possibilidades, suspeitas relacionadas justamente à comunidade de inteligência.
Documentos posteriormente divulgados mostram discussões sobre a necessidade de responder à alegação de que Oswald teria trabalhado para a CIA.
A agência negou qualquer vínculo operacional.
Pode ser verdade.
Mas existe uma pergunta jornalística inevitável:
se existisse uma operação extremamente sensível envolvendo Oswald, seria razoável imaginar que uma agência de inteligência simplesmente a confirmaria publicamente?
Obviamente uma negativa institucional não pode, sozinha, ser transformada em prova de inocência ou de culpa.
É justamente por isso que precisamos dos documentos.
E O PRÓPRIO CONGRESSO ENCONTROU LIMITAÇÕES PARA INVESTIGAR A CIA
Quando o HSCA investigou posteriormente a possibilidade de relacionamento entre Oswald e a CIA, não encontrou evidências suficientes para concluir que ele fosse agente da organização.
Mas existe um detalhe extremamente importante.
A investigação discutiu as dificuldades impostas pela compartimentalização das operações e dos arquivos da CIA.
Em outras palavras, examinar determinados arquivos não significava necessariamente possuir acesso simples a absolutamente todas as relações operacionais de uma agência cuja própria função é trabalhar secretamente.
Os investigadores também enfrentavam uma questão básica: como possuir certeza independente de que absolutamente tudo aquilo que poderia ser relevante havia sido localizado e fornecido?
Isso não prova que Oswald era CIA.
Mas também deveria impedir qualquer pessoa séria de dizer que todas as perguntas sobre sua relação com a inteligência americana foram definitivamente enterradas.
A pergunta correta continua sendo:
quem realmente era Lee Harvey Oswald?
Um comunista?
Um desertor?
Um homem monitorado pela inteligência?
Um informante?
Um ativo?
Um participante de uma operação?
Um assassino solitário?
Ou simplesmente o personagem perfeito para carregar sozinho uma culpa gigantesca?
Observe sua biografia.
Ex-militar americano.
Morou na União Soviética.
Defendeu Cuba.
Teve contatos envolvendo soviéticos e cubanos.
Em plena Guerra Fria, dificilmente existiria personagem melhor para construir uma narrativa pública imediatamente compreensível.
E quando o mundo finalmente poderia ouvir sua versão diante de um tribunal, aconteceu algo inacreditável.
O PRINCIPAL ACUSADO FOI MORTO ANTES DE SER JULGADO
Dois dias depois do assassinato de Kennedy, Lee Harvey Oswald estava sendo transferido sob custódia policial quando Jack Ruby apareceu e atirou contra ele diante das câmeras.
O principal suspeito do assassinato do presidente dos Estados Unidos morreu sem julgamento.
Isso é gigantesco.
Nunca houve um processo criminal completo em que a acusação precisasse demonstrar diante de um júri toda a cadeia de provas.
Nunca houve uma defesa examinando cada perícia.
Nunca houve advogados interrogando testemunhas.
Nunca houve contraditório judicial sobre a famosa bala.
Nunca houve um grande interrogatório público sobre as relações de Oswald com União Soviética, Cuba e os serviços de inteligência americanos.
Lee Harvey Oswald morreu.
E levou consigo respostas que jamais recuperaremos.
Jack Ruby pode simplesmente ter agido sozinho, movido por suas próprias razões.
Mas novamente surge a pergunta:
quem se beneficiou com Oswald morto?
Porque um Oswald vivo poderia falar.
Um Oswald morto virou personagem.
SE ESTAVA TUDO RESOLVIDO, POR QUE TANTOS DOCUMENTOS SECRETOS?
Talvez essa seja uma das perguntas mais fortes de toda a história.
Se Oswald matou Kennedy sozinho, se não havia conspiração e se a Comissão Warren resolveu satisfatoriamente o crime, por que uma quantidade tão grande de documentos relacionados ao assassinato permaneceu classificada, parcialmente suprimida ou protegida durante décadas?
A coleção Kennedy mantida pelo National Archives reúne mais de cinco milhões de páginas de registros.
O problema do sigilo tornou-se tão grande que, em 1992, o Congresso precisou aprovar uma legislação específica: o President John F. Kennedy Assassination Records Collection Act.
Quase três décadas depois do assassinato.
E a própria lei previa situações excepcionais em que a divulgação poderia continuar sendo adiada caso representasse danos identificáveis à defesa militar, às operações de inteligência, à aplicação da lei ou às relações exteriores dos Estados Unidos.
Agora pense.
Se estávamos tratando simplesmente de um homem que decidiu sozinho assassinar o presidente em 1963, por que documentos relacionados àquele caso ainda poderiam representar problemas para operações de inteligência décadas depois?
Existem explicações legítimas possíveis: proteção de fontes, métodos de inteligência, identidades, informações diplomáticas e operações não diretamente relacionadas ao assassinato.
Mas o próprio governo criou o problema de credibilidade.
Quanto maior o segredo, maior a desconfiança.
Se a versão é verdadeira, a transparência deveria ser sua maior aliada.
ENTÃO, EM 1991, HOLLYWOOD FEZ AQUILO QUE WASHINGTON NÃO CONSEGUIU FAZER
Oliver Stone lançou JFK, estrelado por Kevin Costner no papel do promotor Jim Garrison.
No Brasil, o filme tornou-se conhecido como JFK – A Pergunta que Não Quer Calar.
É necessário separar cinema de documento histórico.
Stone dramatizou acontecimentos, condensou personagens, reconstruiu conversas e apresentou determinadas hipóteses de maneira muito mais conclusiva do que as evidências permitem.
Mas seu impacto foi extraordinário.
O filme colocou novamente o assassinato de Kennedy no centro da discussão americana.
Milhões de pessoas começaram a fazer uma pergunta extremamente simples:
por que ainda existem documentos secretos sobre o assassinato do nosso presidente?
A repercussão política foi gigantesca.
Em 1992, o Congresso aprovou a lei que determinou a centralização e divulgação dos registros relacionados ao assassinato.
Pouquíssimos filmes na história conseguiram produzir consequências políticas dessa dimensão.
Oliver Stone pode ter exagerado em suas conclusões.
Mas conseguiu algo que talvez tenha sido ainda mais importante:
fez os americanos voltarem a desconfiar das certezas apresentadas pelo próprio governo.
QUEM GANHOU COM A MORTE DO PRESIDENTE KENNEDY?
Agora podemos finalmente reunir as peças.
Pouco antes de morrer, Kennedy havia aprovado a retirada de 1.000 militares do Vietnã.
Kennedy morreu.
Lyndon Johnson assumiu.
Nos anos seguintes, a política americana caminhou para uma escalada gigantesca no Vietnã.
Mais de meio milhão de militares americanos chegaram a estar envolvidos no conflito.
Os gastos militares aumentaram.
Dezenas de bilhões de dólares circularam em aquisições de defesa.
Grandes empresas receberam contratos.
Oswald foi acusado.
Oswald morreu dois dias depois.
Nunca houve julgamento.
A Comissão Warren concluiu que ele agiu sozinho.
Outra investigação do Congresso posteriormente considerou provável que Kennedy tivesse sido assassinado em decorrência de uma conspiração, embora a evidência acústica utilizada para sustentar a hipótese de outro atirador tenha sido posteriormente contestada.
A mãe de Oswald dizia que o filho trabalhava para o governo.
A CIA negou.
A inteligência americana já possuía informações sobre Oswald antes do assassinato.
Documentos relacionados ao caso permaneceram protegidos durante décadas.
E foi necessária uma lei do Congresso para ampliar sua abertura.
Cada um desses acontecimentos possui explicações possíveis quando analisado isoladamente.
Mas coloque todos eles sobre a mesma mesa.
É exatamente aí que nasce a pergunta que continua incomodando.
QUEM MATOU JOHN FITZGERALD KENNEDY?
Eu não tenho essa resposta.
E desconfio de qualquer pessoa que, mais de seis décadas depois, diga possuir uma prova definitiva sem apresentar documentos capazes de sustentá-la.
Pode ter sido Oswald sozinho.
Pode ter existido outro atirador.
Oswald pode ter participado conscientemente de algo maior.
Pode ter sido manipulado.
Pode ter sido utilizado.
Pode até ter sido exatamente aquilo que dizia ser depois de preso:
“I’m just a patsy.”
Um bode expiatório.
Não sabemos.
Mas existe algo que sabemos.
Depois que Kennedy morreu, outras pessoas assumiram o poder. Decisões políticas mudaram. A guerra cresceu. O orçamento militar aumentou. Empresas receberam bilhões de dólares. O principal acusado morreu antes de chegar ao tribunal. Documentos permaneceram secretos durante décadas.
Isso não é prova de assassinato cometido pela CIA, por Lyndon Johnson ou pela indústria bélica.
Mas são fatos suficientes para continuar fazendo perguntas.
E talvez a pergunta mais importante não seja apenas quem puxou o gatilho.
Talvez devêssemos perguntar quem possuía os meios, quem possuía interesses, quem conhecia os personagens envolvidos e principalmente:
quem tinha alguma coisa a ganhar com um presidente Kennedy morto?
A bala matou John Fitzgerald Kennedy em Dallas.
Mas não matou as perguntas.
Mais de sessenta anos depois, elas continuam vivas.
E enquanto houver documentos ocultados, contradições não esclarecidas e interesses gigantescos envolvidos, nenhuma comissão governamental deveria exigir que a sociedade simplesmente aceite uma versão como um ato de fé.
Talvez Oliver Stone tenha entendido isso melhor do que muita gente em Washington.
Um presidente foi assassinado. O acusado morreu antes de falar em um tribunal. Parte da história permaneceu secreta durante décadas.
E até hoje querem que o mundo pare de perguntar.
Quem realmente matou o presidente Kennedy?










